Godoberto Souza de Oliveira era um
rapaz solteiro, muito carismático, alegre com todo mundo. Gostava muito de
tocar moda de viola. Era um zebuzeiro, comerciava touros.
Ele ia para minha casa e lá passava a
semana, fazia “gambira” de touros e outras coisas, conversávamos sobre tudo,pois
éramos muito amigos.
Ele gostava de uma das minhas irmãs
até para casamento, mas infelizmente, o compromisso não deu certo.
Sempre tivemos muita intimidade, gostávamos
de trocar ideias e sempre que precisávamos de um conselho nos consultávamos,
até meu pai gostava de conversar com ele, porque era um rapaz muito bom.
Com o passar do tempo ele se casou a
acabamos nos afastando um pouco.
Um dia fui fazer um tratamento em
Palmelo e lá o topei com toda a família: a esposa e três filhos, então passei a
comer em sua casa, me hospedava em um hotel, mas fazia as refeições na casa do
Godoberto.
Quando os filhos dele começavam a
brigar, ele dizia... Não sei o que está acontecendo com esse currião, ele não quer
parar na minha cintura, está com vontade correr nas popas dessas meninas...
A filha mais nova logo dizia... Pai,
pode parar, nós não vamos brigar mais... e corriam lá pra fora. É capaz que sua
filha mais velha se lembre da época desse currião.
Ele me explicou que havia entrado no
espiritismo e que todos nós deveríamos seguir esse caminho, pois assim
aprenderíamos mais na vida. É o único caminho para resolver todos os nossos
problemas.
Depois que terminei meu tratamento,
me mudei para Palmelo e lá morei por cinco meses. Aprendi coisas que muita
gente admira. Mas Godoberto se mudou e não nos vimos mais.
Fiquei sabendo que morreu de repente,
mas me lembro dele afirmar que sabia que seu tempo vencia e que assim seria
para todo mundo.
Foi um homem estimado por todo mundo,
desses que quando se vão, só deixam bons exemplos.
Nunca encontrei ninguém que falasse
algo ruim da pessoa dele. Foi um presente poder conhecê-lo e, com ele, aprender
várias lições.
ARMANTE CAMPOS GUIMARÃES