quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A HISTÓRIA DE MAURO SÉRGIO RIBEIRO


                                      
A gente deve trabalhar, lutar com a vida, não podemos ficar parados e um exemplo de homem trabalhador é o que eu vou falar agora.
          Minha fazenda era muito suja, cerradão e lá, um dia apareceu um rapaz de família muito pobre. Mauro Sérgio Ribeiro era seu nome. Seu pai morreu quando ele era pequenino, deixando a mãe em situação difícil. Sua madrinha de batismo o pediu a ela porque ela não tinha filhos e precisava de alguém para deixar sua herança. Ela quis legitimá-lo como filho. Assim, ele estudou até os 18 anos e depois disse a madrinha... Não vou seguir os estudos, eu gosto é de fazenda, criar gado, tocar lavoura.
Sua madrinha chamou o avô do garoto, Seu José, que era homem pobre, mas mexia com lavoura, administração de fazenda era seu ramo. Foi chamado para ajudar o neto, pois a madrinha havia lhe comprado uma terra. O rapaz era de família mineira e agora havia ganhado, aqui em Goiás, uma fazenda de 233 alqueires. Comprou, logo, outra de mais 140 alqueires à beira do Rio Preto. Seu avô sempre o orientando.
A madrinha também lhe deu 2 tratores e, com eles, o jovem rapaz desmatou 180 alqueires de chão bruto. Nesse tempo, os capins conhecidos eram Jaraguá, Colonhão e Gordura. Em 100 alqueires ele botou semente de capim e até em meio um arrozal. Plantou arroz e milho no leirão. Dava pouco, mas não tinha adubo nem nada, era só a natureza do Cerrado. Ao colher o arroz, ele me disse... Vou botar mil vacas nestes 100 alqueires. O senhor tem um gado pra me vender?
Vendi 150 vacas para ele. Ele disse que venderia o arroz e iria me pagando.  Assim aconteceu. Pedi que ele arrancasse cerrado para mim, mas ele me indicou a Goiás Rural que estava chegando à região e seu serviço era muito mais barato.
O governador, nessa época era Leolino Caiado, que comprou 500 tratores e espalhou em Goiás para beneficiar o estado, porém quando acabou seu mandato o outro governador não se interessou na continuidade do trabalho.
Mauro Sérgio disse que já estava pesquisando sobre uns capins bons que estavam aparecendo e decidiu semear Braquiária em quase toda a fazenda. O capim se espalhou por todo o estado. Capim novo dá gado bonito e ele teve sorte.
Reuniu 20 famílias e passou um contrato de dois anos, dando um alqueire de lavoura para cada uma. Pagou-as para fazerem o serviço de lavoura e tudo correu muito bem.
Quando venceu o tempo, as famílias foram embora e ele vendeu a fazenda. Ele então comprou outra em um lugar que tinha gostado muito, perto da antiga capital.
É muito difícil um rapaz novo e inteligente como ele. Tornamo-nos muito amigos, é uma pena que ele tenha ido embora. Hoje deve estar muito rico.
A Goiás Rural veio desmatar Cerrado para mim e para toda a região. No primeiro ano, foi de sorte e tudo correu muito bem. Plantei 35 alqueires, paguei as despesas e tive lucro. Depois o governador desativou esta empresa e tive que entrar no Banco do Brasil para conseguir dinheiro para desmatar mais Cerrado.
Tudo correu diferente da primeira vez. Eu arrancava o Cerrado, fazia a limpeza, gradeava, plantava, mas na hora do arroz soltar cacho, e o milho pendoar vinha o sol e torrava tudo. Na colheita, nunca consegui saldar 20% da dívida.
Eu tinha um amigo que me emprestava dinheiro e então eu conseguia pagar o banco, lá nunca passei devendo um centavo. Isso aconteceu por 4 anos aqui no município de Rio Verde. Foram anos de tombo, mas continuei na luta.
Com a abertura do Banco do Brasil em Caçu, os lavouristas de Cachoeira Alta foram transferidos para lá. Fui falar com um gerente novo, muito bom. Disse que queria desmatar 50 alqueires e ele respondeu que eu deveria desmatar logo 100 alqueires. As informações que ele tinha sobre mim eram muito boas. Assim fiz, desmatei tudo de uma vez e isso deu certo.
Nesse ano, distribui a terra com os filhos para eles tocarem lavoura. Deu para arrumar tudo e acertar todas as contas.
Nessa época, comprei uma fazendinha pra pagar com 10 anos de prazo. Dando 200 bezerros por ano. Todo dia 30 de junho era o dia de entregar os bezerros.  Nunca entreguei bezerro dia 1 de julho, era no dia certo. Neste dia, o dono já ia embora tocando os bezerros.
Muitas lições 

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