quarta-feira, 7 de novembro de 2012

DO SÉCULO XVIII PARA O SÉCULO XIX


                                            
Até para construir meu lar fui vítima, fui sacrificado. Dona Ubaldina eu já conhecia desde novinha, mas quando começamos a tratar do casamento já deu confusão, a sogra só fazia rolo, de todo jeito era embirrada comigo. Nunca dava certo nosso casamento.
Num centro que apareceu na região fui descobrir que havia mulheres que não me deixavam casar e que eram de minha outra vida, a vida passada no século XVIII.
Casei e vivi 52 anos junto da mulher, ela até tinha dúvida de mim, era desconfiada porque as mulheres da outra vida a perturbavam. Ela morreu, foi para a pátria espiritual e depois de 2 anos me apareceu, perguntando como eu estava, se estava bem. Respondi-lhe que estava bem, da moda do galo velho quando cai do puleiro. Põe o bico no chão e a cabeça embaixo das asas pra esperar o dia amanhecer. Ela disse... Levante a cabeça e faça compromisso com outras mulheres, você está aí encarnado. Perguntei com quem? Ela me disse... Não sei, não posso contar, você está no seu livre arbítrio.
Como eu proseava muito, meus filhos brigavam comigo, mas sempre lhes respondi que eu podia até falar demais, mas pelo menos uma família boa e importante eu tinha.
Foi quando apareceu Mateus na minha vida e me disse... Você está arrastando mala à toa, pois meus filhos eram muito melhores do que eu.
No século XVIII, eu não era muito ruim, mas também não muito bom. Descobri uma mulher muito bonita e me apaixonei por ela. Nunca a encostei e ela engravidava de outro homem e me colocava a culpa, dizendo que o filho era meu.
Ela cometia aborto e ia para o hospital. Lá mandava a conta para eu pagar, se eu ignorasse, ela me botava na cadeia, de onde eu teria que pagar para sair.
No segundo aborto eu já paguei, antes de ir para a cadeia. No terceiro, morreu antes de chegar ao hospital.
As pessoas acreditam que quando alguém morre, acaba a vida na terra, mas isso é mentira, acaba nada. Apareceu-me uma moça muito boa com quem me casei e tive 11 filhos. Quando o mais novo estava com 8 anos, a moça da outra vida reencarnou e me conquistou novamente, ficou sendo minha amante. Com ela tive 2 filhos e quando estava grávida do terceiro. A mãe dos onze descobriu. Ela disse... Não te quero mais, Deus não permite essas coisas, de hoje em diante você vá cuidar da sua amante.
Saí de casa e procurei minha amante e tivemos juntos 4 filhos. Com o decorrer do tempo minha ex-esposa faleceu. Quando a amante soube disso, também não me quis mais. Me pôs para o mundo. Porém os filhos do primeiro casamento já haviam perdido a mãe e decidiram procurar o pai. Encontraram-me na bacia da miséria, um mendigo, mas eles me cuidaram até a morte.
Não posso culpar ninguém, pois a amante estrangolou minha vida, mas me disciplinou e a gente só se disciplina com as doenças e as decepções.
Já no século XIX, uma moça, que foi uma das minhas esposas do século passado, reapareceu em minha vida, bonita demais, numa loja. Tive tanta vergonha que não consegui falar com ela e durante uns 4 anos não tive mais notícias suas.
Um dia, tempos depois, ela reapareceu, muito bonita ainda, mas muito doente. Então, finalmente tive coragem de lhe falar, falei até de namoro, mas ela respondeu... Não posso, estou muito doente e só vim morrer em casa. Naquela época, você parecia um bicho do mato, não teve coragem de vir falar comigo e o tempo passou.
Acabei me casando com Dona Ubaldina...

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