Até para construir meu lar
fui vítima, fui sacrificado. Dona Ubaldina eu já conhecia desde novinha, mas
quando começamos a tratar do casamento já deu confusão, a sogra só fazia rolo,
de todo jeito era embirrada comigo. Nunca dava certo nosso casamento.
Num centro que apareceu na
região fui descobrir que havia mulheres que não me deixavam casar e que eram de
minha outra vida, a vida passada no século XVIII.
Casei e vivi 52 anos junto
da mulher, ela até tinha dúvida de mim, era desconfiada porque as mulheres da
outra vida a perturbavam. Ela morreu, foi para a pátria espiritual e depois de
2 anos me apareceu, perguntando como eu estava, se estava bem. Respondi-lhe que
estava bem, da moda do galo velho quando cai do puleiro. Põe o bico no chão e a
cabeça embaixo das asas pra esperar o dia amanhecer. Ela disse... Levante a
cabeça e faça compromisso com outras mulheres, você está aí encarnado.
Perguntei com quem? Ela me disse... Não sei, não posso contar, você está no seu
livre arbítrio.
Como eu proseava muito, meus
filhos brigavam comigo, mas sempre lhes respondi que eu podia até falar demais,
mas pelo menos uma família boa e importante eu tinha.
Foi quando apareceu Mateus
na minha vida e me disse... Você está arrastando mala à toa, pois meus filhos
eram muito melhores do que eu.
No século XVIII, eu não era
muito ruim, mas também não muito bom. Descobri uma mulher muito bonita e me
apaixonei por ela. Nunca a encostei e ela engravidava de outro homem e me
colocava a culpa, dizendo que o filho era meu.
Ela cometia aborto e ia para
o hospital. Lá mandava a conta para eu pagar, se eu ignorasse, ela me botava na
cadeia, de onde eu teria que pagar para sair.
No segundo aborto eu já
paguei, antes de ir para a cadeia. No terceiro, morreu antes de chegar ao
hospital.
As pessoas acreditam que
quando alguém morre, acaba a vida na terra, mas isso é mentira, acaba nada.
Apareceu-me uma moça muito boa com quem me casei e tive 11 filhos. Quando o
mais novo estava com 8 anos, a moça da outra vida reencarnou e me conquistou
novamente, ficou sendo minha amante. Com ela tive 2 filhos e quando estava
grávida do terceiro. A mãe dos onze descobriu. Ela disse... Não te quero mais,
Deus não permite essas coisas, de hoje em diante você vá cuidar da sua amante.
Saí de casa e procurei minha
amante e tivemos juntos 4 filhos. Com o decorrer do tempo minha ex-esposa
faleceu. Quando a amante soube disso, também não me quis mais. Me pôs para o
mundo. Porém os filhos do primeiro casamento já haviam perdido a mãe e
decidiram procurar o pai. Encontraram-me na bacia da miséria, um mendigo, mas
eles me cuidaram até a morte.
Não posso culpar ninguém,
pois a amante estrangolou minha vida, mas me disciplinou e a gente só se
disciplina com as doenças e as decepções.
Já no século XIX, uma moça,
que foi uma das minhas esposas do século passado, reapareceu em minha vida,
bonita demais, numa loja. Tive tanta vergonha que não consegui falar com ela e
durante uns 4 anos não tive mais notícias suas.
Um dia, tempos depois, ela
reapareceu, muito bonita ainda, mas muito doente. Então, finalmente tive
coragem de lhe falar, falei até de namoro, mas ela respondeu... Não posso,
estou muito doente e só vim morrer em casa. Naquela época, você parecia um
bicho do mato, não teve coragem de vir falar comigo e o tempo passou.
Acabei me casando com Dona
Ubaldina...
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